Como você já sabe, as Dinâmicas de Grupo são instrumentos educacionais poderosos no desenvolvimento de grupos. Imagine, por um instante, uma técnica orgânica que tenha, além de todas as vantagens das dinâmicas de grupo tradicionais, muitas outras que a torne inédita, inusitada, de baixíssimo custo, de grande portabilidade e facilidade na aplicação. Você acaba de pensar nas Danças Circulares.

O que é dança

A Dança é a arte do movimento, conhecida como a arte de mexer o corpo, através de uma cadência de movimentos e ritmos, criando uma harmonia própria. Sua origem é pré-histórica. Não é somente através do som que se pode dançar, pois os movimentos podem acontecer independente do som que se ouve, e até mesmo sem ele.

Danças Circulares

Danças Circulares são danças em roda e estão presentes nas culturas de diversos povos de nosso planeta. Estabelecer, com precisão, as suas origens é missão quase impossível. Executadas em diversas formações, mas principalmente em círculo e de mãos dadas, seguem movimentos definidos em uma coreografia. Primeiramente compiladas e posteriormente “pensadas” pelo coreógrafo alemão Bernhard Wosien, chegaram no Brasil no inicio dos anos 80 pelas mãos de Sara Marriot, na cidade de Nazaré, interior de São Paulo. Wosien era bailarino clássico, coreógrafo, pedagogo e pintor.

Então, quais características distinguem as Danças Circulares das outras danças?

Ponto 1- As danças Circulares são dançadas com música;
Ponto 2- São dançadas respeitando-se uma coreografia, ou seja, não é apenas mexer o corpo de forma aleatória e cada um com o seus movimentos próprios. Os movimentos e deslocamentos são padronizadas;
Ponto 3- São dançadas na formação de um círculo, ou seja, tem um lay out definido;
Ponto 4- É feita em grupo e as pessoas colocam-se fisicamente conectadas de mãos dadas. As pessoas podem se conectar com os braços entrelaçados. A ideia é que haja a garantia que a energia produzida pela dança circule pela roda sem se dispersar.
Ponto 5- O centro da roda é marcado por elemento que recebe o nome de cento de roda.

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O Círculo

Nas empresas, as Danças Circulares trazem grandes contribuições, pois como são totalmente coreografadas (simbolizam as norma e procedimentos presentes em todos processos produtivos) e vivenciadas em círculo e de mãos dadas (simbolizando os clientes internos e externos), possibilitam várias analogias.

As danças circulares que são usadas como uma Dinâmica de Grupo são praticadas em grupos. O grupo, em círculo, segue uma coreografia e conectados entre si, reúnem energias em busca da harmonia, da consciência do todo. Ao trabalharem o equilíbrio entre o individual e o coletivo estimulam as atitudes cooperativas e o respeito às diferenças, já que a roda precisa de todos para acontecer e cada um tem seu tempo de aprender.

As Danças Circulares é uma ferramenta que proporciona a vantagem de trabalhar o grupo, garantindo que os participantes mantenham suas individualidades.

Atenção

Praticar as Danças Circulares, em ambientes corporativos, com intensão de desenvolvimento dos participantes de treinamentos é como entrar em um restaurante a quilo. Temos um universo de alimentos disponíveis e cada pessoa compõem seu prato. Entretanto raramente este prato será nutritivo ou balanceado. É interessante que muitas pessoas costumam pensar que, disponibilizando tantas opções de alimentos, cada pessoa pegaria o que lhe faz falta, mas isso raramente acontece.

As pessoas buscam consumir o que está em sua zona de conforto, ou seja, em seu domínio e escolhem o que gostam de comer. Sem orientação as pessoas tendem a escolher o que resolve os efeitos, ou seja, suas carências, desejos ou predileções e não a causa do seu problema. Se ela sente solidão, ela busca abraços e toque de mão nas Danças Circulares e desconsidera seus comportamentos interpessoais, por exemplo.   Para alimentar-se corretamente é necessário a orientação de um profissional que indique os alimentos dos quais a pessoa necessita para resolver seu problema e não os que ela gosta ou quer comer para se sentir bem.

Propósito

O Palestra em Roda funciona como orientador, conduzindo o grupo para que, ao praticarem a Dança Circular experimente sensações e comportamentos, amorosamente e saudavelmente em total zona de desconforto, ou seja, onde não há um padrão de comportamento conhecido e validado por quem participa, para que, além da alegria e satisfação, nutram o grupo. A final é para isso que treinamentos e palestras são contratados: resolver ou prevenir problemas ou ir além do bom rumo à excelência.

Para que isso seja possível, o Palestra em Roda apoia-se em conceitos e técnicas consagradas, as quais apresento a seguir. Esse capítulo não é um trabalho de pesquisa, ou seja, não possui rigor de fundamentações acadêmicas. É apenas uma apresentação do que penso, de como as entendo e uso.

 

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Aplicabilidade

O Palestra em Roda usa as danças circulares como parte das dinâmicas de grupo que são aplicadas para estimular,  inspirar, observar e estudar a dinâmica do grupo frente ao inusitado, inesperado, indesejado e o estressante. Sim, os participantes ficam muito irritados, insatisfeitos,  estressam e desconfiados com as danças circulares porque são aplicadas em contextos que fogem do paradigma. As pessoas fazem, mas não gostariam de estar fazendo. É bem assim que acontece nas empresas quando as coisas fogem do regular e do controle dos funcionários de qualquer posição hierárquica. A diferença é que, no caso do Palestra em Roda, os participantes sentem e reagem aos estímulos num ambiente seguro, salvável pois as danças circulares não as agride de verdade. Não é bacana? Simples, frugal, barato, orgânico, natural é, em linhas gerais, um método genial.